Fim de feira

A Hidroservice, nos anos 1970/80 uma das maiores empresas de consultoria e engenharia do Brasil, implantou ao mesmo tempo uma fazenda em Itupiranga, no centro-sul do Pará, e um hotel de luxo em São Paulo. O hotel Mufarrej funciona até hoje, na alameda Santos, área nobre da capital paulista. A Hidroservice Amazônia virou museu. O caixa único, formal ou informal, sob o comando de Henry Maksoud, um mestre das finanças e do proselitismo.

Lembrei essa história ao ler a justificativa apresentada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (do PP da Paraíba e um dos líderes do atual governo para mais um ato de irresponsabilidade e vilania dos integrantes da atual legislatura na Câmara Federal.

Ontem, os parlamentares aprovaram a prorrogação dos incentivos fiscais para as empresas instaladas nas áreas da Sudam (Amazônia), Sudene (Nordeste) e Sudeco (Centro-Oeste) por mais cinco anos, até 2023. O impacto da renúncia fiscal para esse período é calculado em 40 bilhões de reais. O projeto foi aprovado simbolicamente, sem o registro de voto dos deputados, por aclamação dos líderes.

 “Quando tratamos de corrigir diferenças regionais, nós estamos tratando da federação como um todo. É essa a compreensão que nós temos”, argumentou Aguinaldo Ribeiro. Mas todos sabem que o dinheiro dos incentivos fiscais funciona principalmente como um bumerangue: é aplicado nas regiões desfavorecidas e mais pobres, mas volta às mais ricas, de onde se origina o capital. Uma vez colhido o incentivo, quando nada em dedução do imposto de renda, ele retorna, ampliado, ao lançador do recurso, que o maneja como um atirador de bumerangue. Esse mecanismo subterrâneo impede a redução das desigualdades e disparidades intrarregionais.

m fim de feira e destituídos do sentido de nação, para não falar em patriotismo, os parlamentares que não voltam, com a cumplicidade dos reeleitos, fazem a festa. Quem vier que arque com o custo. E, evidentemente, o repasse à vítima de sempre: o povo.

O verdadeiro repórter

O jornalista saudita Jamal Khashoggi, que era articulista do Washington Post, foi assassinado barbaramente, em 2 de outubro deste ano, no consulado de seu país em Istambul. A jornalista filipina Maria Ressa é perseguida pelo regime ditatorial de Rodrigo Duterte. As jornalistas birmanesas Wa Lone e Kyaw Soe Oo, correspondentes da agência britânica de notícias Reuters, foram presas. Cinco funcionários americanos foram executados durante uma invasão do jornal local Capital Gazette, de Annapolis, Maryland, no qual trabalhavam, em 28 de junho.

Só os cinco últimos não eram jornalistas, mas morreram por causa de um ato de violência contra o jornalismo de linha de frente, que testemunha os fatos e os relata conforme os viu e percebeu. Todos eles foram escolhidos Personalidades do Ano pela revista norte-americana Time, na sua célebre edição de fim de ano.

“Como todos os dons humanos, a coragem chega a nós em quantidades e em momentos diferentes”, disse o diretor da revista, Edward Felsenthal, ao jornal espanhol, El País. “Este ano reconhecemos quatro jornalistas e uma empresa jornalística que pagaram um preço terrível por enfrentar o desafio deste momento”. A Time anunciou sua decisão com a publicação de quatro capas diferentes, com o título The Guardians and the War on Truth (os guardiães e a guerra pela verdade).

El País ressalta que a revista também faz uma menção ao Brasil, mais precisamente à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. “No Brasil, a repórter Patricia Campos Mello foi alvo de ameaças depois de informar que partidários do presidente eleito Jair Bolsonaro haviam financiado uma campanha para espalhar notícias falsas sobre o WhatsApp”. Ouvida pela revista norte-americana, Cristina Zahar, secretária-executiva da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), diz que “com a polarização, a crença em sua própria verdade se fortaleceu, e não importa se os outros dizem que é mentira”.

“Estes são novos tempos, realmente novos tempos”, diz, em referência aos ataques de Bolsonaro à mídia, acrescentando que “os jornalistas precisam encontrar maneiras de lidar com isso.”

A distinção à Pessoa do Ano é feita desde 1927 a uma única pessoa viva. A tradição foi quebrada pela segunda vez consecutiva em que a publicação reconhece um grupo e não um só indivíduo. No ano passado o destaque foi concedido às mulheres que romperam o silêncio contra o assédio sexual..

A iniciativa deste ano é oportuna. O traço em comum entre os jornalistas premiados é que enfrentam as adversidades para se tornarem testemunhas dos grandes acontecimentos do dia a dia no momento mesmo em que eles se consumam. E arcam com as consequências do que escrevem. Respondem não só pela fidelidade aos fatos como pelas reações adversas que eles provoquem. Estes são os verdadeiros repórteres, aqueles que não atalham caminhos em busca de uma celebridade ou negociam seus textos. Podem pagar caro pelo compromisso e a coragem. Sem eles, porém, o jornalismo não passaria de burocracia de aluguel, ou, como assinalou Millôr Fernandes na frase (sempre lembrada e pouco aplicada), seria armazém de secos & molhados, mesmo com muitos secos e muitos molhados.

Novo JP

O novo Jornal Pessoal começou a circular. Infelizmente, desfalcado do Luiz, que sofreu um AVC e agora, felizmente, convalesce em casa, depois de uma temporada no hospital. Por isso, não pôde finalizar a edição e o tumulto para completar o trabalho prejudicou o JP. Peço a compreensão dos leitores. E agradeço pela solidariedade de parentes, amigos e admiradores do Luiz.

JORNALISMO

Quando ele incomoda

Peço licença ao leitor deste jornal para colocar na capa da presente edição uma matéria do meu interesse. Ela me afeta pessoalmente, mas tenho a esperança de que também tenha interesse público. Refere-se ao exercício do jornalismo crítico em época de intolerância na sociedade e no governo.

O processo Gueiros

Na coluna que mantém no blog da sua esposa, Mônica, Hélio Gueiros Filho informa que foi transferida – do dia 4 para o próximo dia 14 – a audiência para o depoimento do seu filho, Hélio Gueiros Neto, acusado de feminício, por matar a esposa, Renata Cardim, segundo denúncia do Ministério Público do Estado.

O ex-vice-governador alega que, com o sigilo judicial, a defesa do filho é prejudicada, por não poder tornar públicas provas da sua inocência. E acusa o grupo Liberal de perseguir o neto do ex-governador Hélio Gueiros.

Segue-se o texto, que poderia levar a defesa de Renata Cardim a se manifestar. O espaço está disponível.

A fonte fidedigna, que me informou sobre a armação do grupo Petit Versailles – antigo Liberal – em conjunto com a senhora Socorro Cardim, que foi acusada de matar o marido pela polícia e pelo tio da Renata, Paulo de Lima, para descontruir a imagem de meu filho junto à opinião pública, parece ter acertado na mosca.

Como a fonte me advertira, saiu a senhora Socorro (a imprensa jamais informou ao público sobre as acusações que pairam sobre essa senhora) – sem condições morais para atacar quem quer que seja – entrou sua filha, mas o script é rigorosamente o mesmo durante todos esses anos.

Na manhã do dia 5 de dezembro, mesmo conhecedor que a audiência do meu filho fora adiada, o Grupo Petit Versailles – antigo Liberal – determinou às suas surucucus repórteres que destilassem todo seu veneno, mentiras e engodos, que não podem ser refutados pelo subterfúgio do processo continuar em segredo de justiça.

Filmou uma pretensa demonstração de indignação, que mais parecia um desfile de Blocos de Sujos, devido aos sorrisos e trejeitos dos irmãos da Renata. Não foi a primeira vez que o Petit Versailles – antigo Liberal – mente descaradamente em suas reportagens. No carnaval passado, afirmou que o meu filho foi preso e permaneceria preso durante o tríduo momesco. Deslavada mentira.

Um processo que fica escondido nos escaninhos da Justiça há pelo menos 3 anos, sem que sejam revelados os depoimentos do médico legista, doutor Rainero Maroja, os depoimentos dos médicos legistas da exumação, nem mesmo o ridículo depoimento do assistente de acusação, o médico do caso Habib’s, não deveria poder existir, mas existe. Esses depoimentos estão em vídeo à disposição de todo mundo, mas são escondidos. Qual o réu que clamaria pela postagem e divulgação dos vídeos, se culpado fosse? Por que não liberam?

A grupo Petit Versailles – antigo Liberal – que não possui qualquer compromisso com a verdade (a Rede Globo, para manter seu bom nome na praça, deveria mandar fazer uma auditoria na sua afiliada) – e o nobre promotor José Maria, conhecedores do teor dos depoimentos prestados, desistiram da absurda acusação de feminicídio e resolveram mudar o foco para a não menos absurda acusação de agressão. Não sabem onde se fixar, pois mentem, deslavadamente, mentem.

A audiência foi suspensa no dia 04 para que as partes se manifestassem em 10 dias sobre questões processuais. Dois dias depois houve o arrependimento, o direito do réu retirado e a audiência remarcada para o dia 14, uma sexta-feira, às 10 horas, quando, com toda certeza, o grupo Petit Versailles – antigo Liberal – estará, mais uma vez, através de suas surucucus repórteres, destilando mentiras, mil mentiras, para, como ensinou o nazista Hermann Göring, a mentira se tornar verdade.

Se o grupo Petit Versailles – antigo Liberal – corre apenas atrás dos números do Ibope, sugiro entrevistar o filho do governador ou aquele ente da sua própria da família, que, bêbado, matou duas pessoas, ambas as histórias verdadeiras e que permanecem silenciosas e escondidas das bocas das surucucus repórteres. Aqueles sim, gozando do privilégio da impunidade. Seriam histórias reais e sensacionalistas, o grupo Petit Versailles – antigo Liberal – não deveria perder essa oportunidade.

O silêncio de Bolsonaro

Desde que estourou o escândalo da movimentação bancária atípica (no montante de 1,2 milhão de reais em 12 meses) dos seus assessores parlamentares, todos da mesma família, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, repete a ladainha: ele não está sendo processado, está á disposição das autoridades e é o maior interessado no esclarecimento. Mas não dá a consequência lógica dessa intenção: autorizar a quebra do seu sigilo bancário e se apresentar espontaneamente para esclarecer tudo que lhe for perguntado. Assim ajudará a acabar com as especulações e limpará o seu nome e o do pai e de toda família. Como todos sabem, o pior é o silêncio. Ele pode ser interpretado como a admissão implícita de culpa.

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