Agradecer e bater palmas

Até o mês passado, nos 10 anos da sua existência, o Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, junto com o Ministério do Meio Ambiente, liberou um bilhão de reais para projetos na região, conforme relato feito, no Rio de Janeiro, a representantes dos governos da Noruega e da Alemanha, que são os principais doadores da iniciativa (a Petrobras também é doadora, mas de valores muito menores).

Desde 2008, quando foi criado, o Fundo Amazônia aprovou 102 projetos, com investimento de R$ 1,9 bilhão. Com esse porte, é considerado “o principal mecanismo internacional de pagamentos por resultados da redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal”, informa um release do BNDES.

“Entre 2004 e 2017, o Brasil garantiu uma queda de 75% de desmatamento na Amazônia, o que permitiu a captação de mais de R$ 3 bilhões em doações. Essa redução é considerada uma das principais contribuições no mundo para o enfrentamento da mudança do clima”, acrescenta o documento.

O fundo apoiou o cadastramento de 530 mil imóveis rurais em 12 Estados amazônicos, o que é considerado “etapa relevante do processo de regularização ambiental do agronegócio”. Também contribuiu para o aperfeiçoamento dos sistemas de monitoramento do desmatamento por satélites no Brasil e em outros países da Amazônia regional. Como ação direta, investiu em cinco projetos dos bombeiros militares para o aumento do combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas.

O fundo apoia 345 instituições de pequeno e médio portes na produção e comercialização de produtos sustentáveis, como açaí, castanha do Pará (tratada como sendo do Brasil), borracha, cacau, processamento de farinha de mandioca, artesanato, pesca e turismo comunitário. A iniciativa beneficiou diretamente 142 mil pessoas e gerou receitas de R$ 122 milhões, “contribuindo para a melhoria de vida da população local e para conservação dos recursos naturais”.

Neste ano o BNDES, em conjunto com o banco de desenvolvimento KfW, do governo alemão, “concluiu uma prova de conceito para a utilização da tecnologia blockchain” nos desembolsos do fundo. “Desenvolvida inicialmente para dar suporte a moedas digitais, ela possibilitará maior controle sobre o fluxo dos recursos financeiros. A próxima etapa será a implementação de um projeto-piloto. Caso tenha êxito, poderá ser colocada em produção, contribuindo para ampliar a transparência quanto à aplicação dos recursos”, diz ainda a nota do banco.

Acrescenta que também “estão em processo de maturação iniciativas para fomentar parcerias junto ao setor privado, alavancando o potencial de impacto positivo do Fundo na estruturação de cadeias produtivas da sociobiodiversidade”.

Tudo isso foi apresentado na antiga capital federal, entre a cúpula das instituições envolvidas no programa. Nada dessa iniciativa se estendeu aos 12 Estados abrangidos pelo Fundo Amazônia. O vezo colonial, mesmo quando tem intenções e aparência positivas, persiste. Cabe aos amazônidas agradecer pela ajuda e bater palmas.

(Publicado no site Amazônia Real)


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