A barbárie: lá e cá

Foi uma tragédia brasileira no interior da Espanha, em outubro de 2016. François Patrick Gouveia, de 22 anos, matou e esquartejou um casal de tios, de 40 e 39 anos, e seus dois filhos, de um e quatro anos. Entregou-se à polícia e confessou os crimes no dia seguinte à localização dos corpos, um mês depois das mortes. Sua defesa requereu ao tribunal do júri que ele fosse condenado a 25 anos de prisão. Alegou que o assassino sofrera danos cerebrais, que o impediam de ter o domínio dos seus atos.

Na quinta-feira, 15, a sentença foi anunciada: o criminoso foi condenado à prisão perpétua. É a pena máxima na Espanha, que admite a revisão em 25 anos. Os jurados acompanharam o entendimento da promotoria de que François “não cometeu o crime impulsivamente”, mas “com intencionalidade, sem considerar qualquer defesa”.

Os espanhóis ficaram chocados pelas circunstâncias da execução, praticada na residência dos tios do assassino, a quem abrigavam. Os brasileiros, que parecem se acostumar e se acomodar a barbáries semelhantes a essa, praticadas cotidianamente, deveriam refletir sobre o exemplo espanhol. Em crimes com essas características, a pena deveria ser a máxima e não ter atenuantes que não o previsto na Espanha: cumprimento exemplar da prisão por 25 anos para ter o direito a uma revisão, que, nesse caso, servirá para demonstrar (ou não) a sanidade do réu sem atenuar o ato contra a vida que cometeu.


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