Segurança no Pará virou loucura

A polícia do Pará ofereceu ao mundo uma cena que pode ser inédita. O vídeo que a registra já circula pela internet.

Eram nove e meia da noite de ontem, em Belém. Na rua em frente a um prédio residencial no bairro da Pedreira, duas famílias discutiam asperamente. Uma típica briga de vizinhos Só que num dos lados estava um delegado da polícia civil, Alexandre Calvinho Broni, que ameaçava fisicamente o antagonista, um médico, ameaçando-o de morte (e a mulher dele, também médica). Talvez estivesse armado.

A corregedoria da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social foi acionada. Uma equipe da Delegacia de Crimes Funcionais foi enviada para o local. O delegado Marcus Nascimento intimou o seu colega a segui-lo até a delegacia. Alexandre quis saber que provas ele tinha de algum delito que estivesse cometendo para ser levado dali. Houve discussão e Marcos ordenou aos demais policiais que levassem Alexandre. O delegado resistiu e arrastou ao solo os policiais que tentavam imobilizá-lo e algemá-lo. O combate se estendeu por algum tempo, enquanto a esposa de Alexandre, filmando tudo com seu celular, pedia para soltarem o marido.

Preso em flagrante, o delegado Alexandre Calvinho Broni foi levado á audiência de custódia na justiça. A juíza que o atendeu relaxou a prisão, por considerar o crime de menor potencial ofensivo, e enquadrou o caso em crime de resistência, que absorve os de desobediência e desacato. Mas impôs medidas cautelares ao delegado, em função das ameaças que fez, proibindo-o de voltar ao prédio onde reside, afastando-o da função policial (sem isentá-lo de cumprir expediente administrativo), proibindo-o de portar arma e se aproximar das suas vítimas, além de obrigá-lo a comparecer periodicamente em juízo.

O mais grave do que ocorreu não foi apreciado pelo juízo: no meio da refrega de rua, o investigador Cláudio Matos sofreu um infarto e morreu na hora.

O que é isso, Pará?

Se alguém encontrar por aí o governador Simão Jatene, o secretário de Segurança ou o delegado geral da polícia civil, por gentileza, façam-lhes a pergunta e aguardem uma resposta. Quem, no mundo inteiro, tiver visto as cenas vergonhosas e lamentáveis, também gostará de ter uma resposta das autoridades.


Print   Email