Tem general na Defesa

O general Fernando Azevedo e Silva, anunciado ontem pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, será o segundo militar a ocupar o Ministério da Defesa. Criado em 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o ministério fora comandado por oito civis, que se sucederam no cargo até fevereiro deste ano, quando Michel Temer indicou o general Joaquim Silva e Luna.

Também na reserva, Azevedo e Silva será o sucessor, militarizando uma pasta que deveria ser entregue a civis para cumprir uma das suas principais finalidades: manter-se acima das três forças armadas e assegurar a equidade entre elas.

O futuro ministro tem currículo bastante robusto para merecer a indicação, mas a essência do ministério, a mesma que levou à sua existência em todas as democracias ocidentais, pode ter sido comprometida. Pode ser que Bolsonaro queira, assim, dar a esse ministério a importância que ele não tem até hoje. Seus ocupantes ou não têm intimidade com o setor e o tema, como, por sua origem na esquerda, foram ignorados pelas três forças, para as quais tinham um papel quase simbólico.

A escolha pode também ter um significado político: o general Azevedo e Silva é atualmente assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Apesar de indicado por Lula, Toffoli tem mantido uma relação amistosa com Bolsonaro, o que pode indicar uma aproximação do novo governo, contra todas as expectativas.

Mais um item surpreendente na constituição de um governo ainda à procura de definições.


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