Começo ameaçador

A primeira medida que o presidente eleito Jair Bolsonaro tem que tomar é afastar publicamente seus filhos do governo. Os sucessivos incidentes que provocaram já demonstra que mantê-los, mesmo que em função da sua condição de parlamentares, será aceitar o nepotismo. E expor a gestão pública aos seus desatinos.

A segunda providência é obrigar o mais evidente deles, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro a liberar o seu sigilo bancário para as autoridades que investigam a atípica movimentação financeira do seu segurança, motorista e assessor, que, por 10 anos nessas funções, nunca deixou de receber seu salário como membro ativo da Polícia Militar do rio de Janeiro.

As explicações dadas pelo principal porta-voz do governo em formação, o deputado federal Ônyx Lorenzoni, nada responderam concretamente. O que impõe ao presidente eleito uma terceira medida: se comprometer com a liberdade de pensamento e de expressão, em especial a liberdade de imprensa. E transformar em prática corrente a prometida transparência, a si e a todos os seus subordinados,

Segue-se a transcrição da conversa de Onyx com os jornalistas destacado por Reynaldo Azevedo no seu blog:

— Setores estão tentando há um ano destruir a reputação do sr. Jair Messias Bolsonaro. Alguém tem dúvida do trabalho que foi feito, lembra lá da funcionária que tava de férias? — respondeu Lorenzoni.

— Mas é uma pergunta sobre o relatório do Coaf — interrompeu um jornalista.

— Vamos lá, peraí. Vamos enfrentar essa questão. O presidente Bolsonaro é uma pessoa que tem o compromisso claro com a verdade. Então fiquem tranquilos, que seguramente isso vai ser sempre enfrentado com a verdade.

O futuro chefe da Casa Civil lembrou, então, do arquivamento de uma investigação contra ele, sobre a suspeita de caixa 2 pago pela Odebrecht e disse que “este é um governo decente” e que é o momento de “separar o joio do trigo”.

— Neste governo, é trigo. Não dá para querer achar que esse governo é igual o governo do PT. Não é, nunca vai ser, e os homens e mulheres que estão aqui são do bem.

Um repórter perguntou o que essa declaração teria a ver com o relatório do Coaf.

— Tem a ver o seguinte: eu estou respondendo ao sr. O presidente é um homem que não teme a verdade, assim como eu não temo a verdade. E nós vamos trabalhar com a verdade. Até que a verdade se esclareça, nós vamos ver. Agora, não é só uma notificação, a pergunta é: onde é que estava o Coaf no mensalão? Onde estava o Coaf no petrolão?

Onyx foi interrompido por outro jornalista, que disse:

— A pergunta é qual é a origem do dinheiro (movimentado pelo segurança)…

— Amigo, eu sou um investigador? Não. Como é que eu vou… Qual é o dinheiro que foi para sua conta? Quanto recebeu neste mês?, perguntou Lorenzoni. — Quanto o sr. recebeu este mês?

— Eu?, perguntou o repórter. — Isso não tem a menor relevância. 

— E não tem a menor relevância a sua pergunta, finalizou Lorenzoni, abandonando a entrevista coletiva.

COMENTÁRIO DO JORNALISTA REYNALDO AZEVEDO

Suposta moral da história para Onyx: porque existiram o PT e suas lambanças, então aos futuros donos do poder tudo é permitido.

É o fim da picada!

Eis aí o comportamento-padrão de todos os que são flagrados com a boca na botija: tudo não passa de uma conspiração. E culpados são os fatos.

Ainda que as perguntas de Onyx sobre a atuação do Coaf no passado fizessem sentido, indaga-se: em que isso ajuda a esclarecer a agitada vida financeira de Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio Bolsonaro? Resposta: em nada!

O repórter não tem de prestar nenhum esclarecimento sobre sua conta bancária. Já os Bolsonaros estão obrigados a prestar esclarecimentos sobre a milionária movimentação bancária do motorista que servia a um dos elementos do quarteto.

A verdade é a seguinte: a agressão gratuita costuma ser a resposta mais comum de quem não tem resposta a dar.

REFLEXÕES DO ECONOMISTA DO ECONOMISTA RICARDO BERGAMINI

1 – No Brasil vale sempre a máxima de que aos amigos tudo, aos inimigos a lei.

2 – A aberração dos assessores parlamentares existe na Câmara dos Deputados Federais se propaga para o Senado Federal, para todas as 27 Assembleias Legislativas dos estados e 5.570 Câmaras de Vereadores dos municípios. É uma verdadeira “suruba”.

3- Quando o Flavio Bolsonaro afirma que está tudo no Diário Oficial do Estado, concordo ser um ato legal, porém imoral para quem prega o fim da imoralidade como projeto de vida, assim sendo deveria ter lutado pelo seu fim e não se beneficiar da imoralidade existente.

3 – A justificativa da devolução de um empréstimo concedido ao suspeito, todos nós ouvimos milhares de vezes na apuração da Lava Jato. Está muito desgastada. Inclusive alguém que movimenta R$ 1,2 milhão em um ano, não precisa de empréstimo de um simples e honesto deputado federal com salário líquido de R$ 27 mil.

4- O Flávio Bolsonaro tem o privilégio de conhecer uma família iluminada em que todos os seus membros (marido, esposa e duas filhas) tenham capacidade profissional para as respectivas funções. Acredito que haja uma seleção para contratação dos respectivos assessores.

5- Surpreende que um policial militar (proibido de ter outro emprego) com dois empregos ganha R$ 24 mil, enquanto um médico para trabalhar no interior do Brasil tenha um salário de R$ 11 mil.

6 – Na política existem honestos e desonestos, porém ambos os grupos detestam os falsos guardiões da moral e da ética.

7 – O próprio presidente Jair Bolsonaro já se envolveu nesse tipo de rolo com a sua assessora parlamentar que trabalhava na sua casa em Angra dos Reis. Cuidado que cavalo não desce escada.

7- Está definhada para 2019 a pauta dos debates no Congresso. Adeus problemas econômicos. Será cada um por si e Deus contra todos.

8- Para finalizar nada melhor do que citar o Chaves: Não se irrite, explique!


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