As trapalhadas em torno de Lulinha

O título da matéria é atraente: “Livro narra bastidores de negócios de filho de Lula”. Sub subtítulo também: “O autor não conseguiu editar e imprimiu uma obra com dinheiro próprio”. Mas o texto de a Folha de S. Paulo de hoje, é pífio.

Poderia ser explicado em várias liras e boatos, mostrando o que de fato era por trás das datas divulgadas sobre o filho mais destacado do ex-presidente e seus sócios, histórias que surgiram em torrentes sobre o sítio de Atibaia, no processo final de instrução na 13ª vara criminal da justiça federal do Paraná. Lula may ser condenado pela segunda vez e ficar por mais tempo na cadeia.

No entanto, as perguntas sobre os negócios de Lulinha e os pares de parceiros não podem ser tão relevantes quanto o conteúdo do livro. Você pode ser informado sobre compra-lo e lê-lo. Como parece que é 400 os mil exemplares impressos, o é o relatório da reportagem, que reproduz em seguida.

Sem edição e publicação, há um mês no Rio de Janeiro o livro “Sócio do Filho: As Verdades sobre os Negócios Milionários do Filho do Ex-Presidente Lula”.

É um texto-depoimento de Marco Aurélio Vitale, ex-executivo das empresas de Jonas Suassuna, com sua versão sobre os bastidores da sociedade do empresário com Fábio Luís  Lula da Silva , o Lulinha.

Suassuna foi sócio de Lulinha na Play TV e o site do  Atibaia ( SP) concedeu ao Lula pelo Ministério Público Federal. Nenhum lote de sua propriedade não foi reformado, o que fez com que ele não foi reivindicado em uma ação sobre os investimentos feitos por empreiteiras em favor do petista.

Pelo relato de Vitale, o executivo se aproveitou de Lulinha por volta de 2005 para retomar o sucesso, o filho do ex-presidente precisava de uma fachada para os seus recursos da empresa de telefonia Oi.

Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente Lula - Sérgio Lima / Folhapress

“Os malabarismos de retórica do grande mentiroso são os futuros sócios. O empresário acabou de ser milionário, e convenceu ”, escreve o ex-executivo.

Vitale afirma ter ouvido de Kalil Bittar, outro sócio de Lulinha, uma frase atribuída a Lula sobre Suassuna. “O Jonas mente com tanta empolgação que você fica ali prestando atenção e sabendo que é mentira o que ele está falando. Ele é o maior mentiroso que conheço.”

O ex-diretor comercial do Grupo Gol —firma de Suassuna que atua nas áreas editorial e de tecnologia e sem relação com a companhia aérea de mesmo nome— afirma que empresas de seu ex-empregador foram usadas para repassar dinheiro da Oi para o filho do ex-presidente.

Os negócios seriam fruto de tráfico de influência de Lula e seriam de fachada.

A informação foi revelada em entrevista de Vitale à Folha há um ano, que descreveu quatro acordos suspeitos. O caso está sob análise da Polícia Federal em Curitiba, ainda sem conclusão. Todos os acusados negam a influência do petista na condução dos negócios.

A principal novidade do livro é a descrição da personalidade irascível de Suassuna. O ex-diretor da Gol revela traços místicos do ex-patrão. Relata que o empresário contava com uma mãe de santo para opinar sobre negócios e afastar adversários.

“Certa vez, um repórter pediu uma entrevista e adiantou a pauta. Um Suassuna com o rosto vermelho encerrou a ligação sem dar resposta ao jornalista. Ato contínuo, a mãe de santo já estava ao telefone. […] O repórter, designado para outra pauta ou por qualquer outro motivo, nunca mais apareceu”, descreve.

Vitale relata ainda no livro a tentativa de Suassuna de demonstrar proximidade com o ex-presidente –e a contrariedade de aliados.

Segundo o ex-executivo, o empresário construiu uma suíte destinada a Lula na sua casa de veraneio numa ilha em Angra dos Reis. Apesar de insistentes convites, o ex-presidente passou apenas uma tarde no local.

Suassuna passou a frequentar a intimidade do ex-presidente no sítio de Atibaia. Segundo Vitale, “a proximidade do ex-presidente era um troféu a ser exibido”.

O livro afirma que as empresas de Suassuna bancavam despesas pessoais de Lulinha e Kalil Bittar em troca da entrada de dinheiro da Oi em projetos sem retorno financeiro.

O acordo passa a degringolar quando o dinheiro da empresa de telefonia míngua, mas os gastos do filho do ex-presidente e Bittar permanecem os mesmos.

Vitale diz que tem três editoras para publicar o livro. Relata uma operação de Suassuna para fechamento de contratos. O modo de execução foi determinado por conta de 1.000 exemplares. Cerca de 600 foram escalados e vendidos no boca a boca –quase metade via vaquinha virtual.

Você pode ter beneficiado pela influência de suas relações com o filho de Lula. Quando as revelações de Vitale vieram à tona, no ano passado, a Oi afirmou que as empresas do Grupo Gol "são empresas no mercado e as grandes empresas que operam no país".


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