Ainda o “caso Gueiros”

No próximo dia 5, o advogado Hélio Gueiros Neto será ouvido em depoimento na justiça, acusado de ter matado sua esposa, Renata Cardim, e enquadrado no crime de feminicídio. Na sua coluna, publicada no blog da esposa, o ex-vice-governador Hélio Gueiros Filho sustenta que há uma trama para incriminar o neto do governador (já falecido) Hélio Gueiros, da qual faria parte o grupo Liberal, e pede que seja quebrado o sigilo do processo para poder apresentar documentos dos autos em defesa do filho.

Reproduzo o texto.

Basta. Chega. Não é possível há mais de 3 anos correr em segredo de Justiça uma ação, por feminicídio, contra meu filho, fundamentada em um parecer do médico do Habib’s, e durante todo esse tempo a Justiça, que impede o réu de revelar qualquer documento dos autos, permite à imprensa, capitaneada, em princípio, pelo Petit Versailles, antigo O Liberal, posteriormente, auxiliado pela emissora do Bispo, entrevistar, sistematicamente, apenas o primeiro promotor, o nobre doutor Edson Cardoso da Silva, que abandonou a ação por saber insustentável sua denúncia e responder por isso no Conselho Nacional do Ministério Público, depois seu substituto, o nobre doutor José Maria, vizinho e colega de academia da senhora Socorro Cardim, mãe da Renata, que foi acusada pela polícia e pelo tio da falecida de matar seu companheiro José Maria de Lima, do qual herdou os negócios, que abasteceram uma das campanhas do deputado federal Nilson Pinto do PSDB.

Durante esses 3 anos as notícias que chegam aos ouvidos dos telespectadores e assinantes desses jornais são as mais deslavadas mentiras, que ficam sem resposta em virtude do silêncio imposto dela própria Justiça em relação aos depoimentos e documentos colhidos nos autos. A mãe da Renata, depois de revelado seu nefasto segredo, foi substituída nas entrevistas pela filha e filho.

A imprensa jamais divulgou o segredo da mãe da Renata, apesar de isso ser, em um jornalismo sério, uma peça fundamental, muito menos os laudos dos peritos do IML que, evidentemente, confirmaram de maneira clara e peremptória que a Renata morreu de morte natural.

Esse tratamento dispensado ao meu filho, não foi dado nem aos réus da Lava Jato, que, depois de feita a denúncia, todos, sem exceção, tiveram os sigilos dos inquéritos levantados. No caso do meu filho, ele foi intimado do inquérito, um mês antes deste seguir para a Justiça e sem o parecer pago pela mãe da Renata, que fundamentou a denúncia. Depois da denúncia aceita, jamais pudemos manusear qualquer documento ou petição do processo, pois foi novamente decretado o segredo de Justiça.

Já se vão 3 anos sem que o público e eu saibamos exatamente o que ocorre nos escaninhos da Justiça, mas as surucucus repórteres do Petit Versailles e as da televisão do Bispo, que nunca foram barrados na porta da Justiça como minha esposa e minha mãe, continuaram, nesse período, mentindo, mentindo, mentindo, para que, como ensinou Hermann Göering, o ministro da propaganda de Hitler, uma mentira repetida mil vezes se tornasse realidade. Graças a Deus, esse monopólio da mentira da imprensa caiu por terra com o advento das Redes Sociais.

O que a Justiça faz no caso do meu filho – proibi-lo de divulgar qualquer vídeo ou depoimento de seu processo – beneficia apenas quem quer acusá-lo. Por quê? Pergunto eu. Mas não é apenas isso. O comportamento do nobre representante do Ministério Público é insustentável e aviltante. Falta civilidade e urbanidade. Diante do depoimento de sua própria testemunha, perde a cabeça, manda se calar, pois o está prejudicando. E o pior, nos intervalos da audiência, fica mandando ameaças e indiretas ao meu filho, ao dizer absurdos como: se a minha mulher morresse, não seria acusado da morte, pois jamais bati nela. Que promotor trataria dessa maneira um réu que tem os laudos do IML, o primeiro e o segundo da exumação, garantindo que a suposta vítima, morreu de maneira natural? Que promotor, com esses laudos, faria a denúncia de feminicídio?

Mas essas indiretas e ameaças não são gratuitas. Eu soube, de fonte fidedigna, que corre o rumor que o interesse no depoimento do Hélio, no dia 05 de dezembro, não é discutir o feminicídio, que ficou peremptoriamente descartado pelos peritos, mas concentrar-se no também absurdo de dizer que o meu filho encostou, em outras ocasiões, o dedo na Renata. Para isso iriam vazar, apesar do segredo de Justiça, o depoimento dele para ser editado pelas surucucus amigas, que se encarregariam, mais uma vez, de denegrir a imagem do Hélio.

Tudo bem, queremos ver o depoimento do Hélio, mas também exigimos que seja divulgado o depoimento do doutor Rainero Maroja, do doutor Juvenal e de seu colega do IML, que fizeram a exumação, do chefe do IML e mesmo do assistente do caso Habib’s, que fundamentou a denúncia e foi pago pela senhora Socorro Cardim. Não temos medo de expormos nada desse caso. Quem parece que está com medo é o representante do Ministério Público, que se oculta na falta de educação e de transparência.


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