Alunorte: o vácuo

Trago para a capa do blog o comentário, reproduzido a seguir, feito pelo leitor José Miranda, sobre a crise da Alunorte, que suspendeu sem funcionamento alegando que não pode continuar sob o embargo às suas atividades determinada pela justiça, a partir de pedido dos ministérios públicos estadual e federal. As informações fornecidas ajudam a contextualizar a questão em maior amplitude.

Esta ultima postagem, porém tem alguns comentários, feitos por leitores, muito bem redigidos por sinal, mas que deixaram me assustado com o grau de desconhecimento e desconexão com o mundo real. Muito distante da qualidade do seu trabalho de pesquisa.

A Síndrome do cachorro vira lata, é uma das doenças que o brasileiro precisa tratar e curar, para um dia sonhar em deixar de ser colônia dos europeus, como um dos visitantes disse aí acima.

Hoje li uma informação em outro blog, que desconheço o grau de profissionalismo dos responsáveis, nao sei o quanto investiram em pesquisar as informações, mas enfim achei muito interessante.

Volto a afirmar: não houve transbordo, não contaminamos.

No processo Bayer não existe o elemento químico chumbo.

Existem pesquisas fundamentadas demonstrando que os metais pesados encontrados nas águas próximo à planta da alunorte são oriundos de um aterro sanitário/ lixão a céu aberto, lá existente.

Se puder continue lendo abaixo.

Do ponto de vista social e ambiental, os prejuízos do vazamento de resíduos da mineradora Hydro já são conhecidos: elevado teor de elementos químicos presentes no solo; presença de metais pesados na água com potencial cancerígeno, como o chumbo; contaminação de rios e igarapés e consequente destruição do ecossistema aquático.

Do ponto de vista econômico e financeiro, os prejuízos estão para além da perda de emprego nas empresas envolvidas. As finanças públicas — particularmente, as contas das prefeituras de Barcarena e Paragominas — vão sentir os efeitos da paralisação total das atividades da multinacional Hydro e da Mineração Paragominas.

Primeiramente, é preciso entender a natureza do empreendimento. Barcarena possui um complexo de transformação mineral. O município recebe o minério de alumínio de Paragominas, que possui um complexo de indústria extrativa. Em resumo, Paragominas extrai o minério de alumínio e manda para Barcarena, que transforma o minério e o exporta.

O alumínio é o terceiro principal produto da balança comercial do Pará. A cadeia de produtos que o envolvem é responsável por 6,7% das exportações paraenses e só fica atrás do minério de ferro (57%) e do minério de cobre (14%).

Individualmente, os prejuízos econômicos e financeiros a cada um dos envolvidos são:

Município de Paragominas

A indústria extrativa de minério de alumínio responde por R$ 3,60 de cada R$ 10 que Paragominas produz em riquezas, ou seja, em Produto Interno Bruto (PIB). Indiretamente, a indústria extrativa ainda adiciona valor ao setor de serviços, de maneira que a paralisação da empresa Mineração Paragominas faz o PIB cair 50%.

Enquanto a indústria mineral gera R$ 3,60, a agropecuária de Paragominas gera apenas R$ 1,25.

Mas o efeito maior da paralisação está nas contas da Prefeitura de Paragominas, que tem arrecadação anual de R$ 302 milhões. Com paralisação de um ano da empresa Mineração Paragominas, por exemplo, o município vai ter rombo de 30% nas contas, com redução drástica de royalties de mineração e, também, do ICMS e do ISS, que ajudam a reforçar o caixa.

O comércio sentirá os efeitos porque cerca de 1.400 empregos com carteira assinada serão suspensos na indústria mineral. A indústria mineral é a que paga a maior média salarial em Paragominas. Sem esses empregos, em um ano o impacto é de R$ 91 milhões em massa salarial apenas nesse setor.

Município de Barcarena

A indústria de transformação do minério de alumínio responde por R$ 6,35 de cada R$ 10 que Barcarena produz em riquezas. Indiretamente, a cadeia do alumínio ainda adiciona valor ao setor de serviços, de maneira que a paralisação das atividades da multinacional Hydro faz o PIB cair 89%.

Barcarena não possui outra fonte de renda consistente que não seja a indústria de transformação. Inclusive, a Hydro Alunorte é a 27ª que mais exporta no país (isso mesmo com a redução de 50% de suas atividades; antes era a 14ª). O Brasil tem mais de 20.600 empresas exportadoras.

Mas o efeito maior da paralisação está nas contas da Prefeitura de Barcarena, que tem arrecadação anual de R$ 362 milhões. Com paralisação de um ano da multinacional Hydro, por exemplo, o município vai ter rombo de 50% nas contas, com redução drástica do ICMS e do ISS, que ajudam a reforçar o caixa. A arrecadação de ICMS da Prefeitura de Barcarena gira em torno de R$ 118 milhões e a de ISS, R$ 57 milhões.

O comércio sentirá os efeitos porque cerca de 5.200 empregos com carteira assinada serão suspensos na indústria de transformação. A indústria de transformação é a que paga uma das maiores médias salariais em Barcarena. Sem os empregos, em um ano o impacto é de R$ 281 milhões em massa salarial apenas nesse setor.

DEPENDÊNCIA ECONÔMICA

▪ A economia de Paragominas depende 36% (diretamente) e 50% (indiretamente) da indústria extrativa mineral do alumínio (Mineração Paragominas)

▪ A Prefeitura de Paragominas depende diretamente 33% das compensações e impostos da Mineração Paragominas.

▪ A economia de Barcarena depende 63,5% (diretamente) e 89% (indiretamente) da indústria de transformação do alumínio (Hydro Alunorte)

▪ A Prefeitura de Barcarena depende diretamente 50% dos impostos da Hydro Alunorte.

Fonte: Bacananews


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