Socorro, Nazinha!

O brasileiro irá à eleição de domingo sem um líder nacional, sem alguém moldado para comandar o país num dos momentos mais difíceis da sua história. Grave porque o progresso bateu à porta da nação, exibiu suas qualidades, ofereceu a sua participação, mas foi maltratado, abusado, dilapidado. O Brasil ainda tem a possibilidade de crescer de novo, reduzir as suas brutais desigualdades, compreender a necessidade de participação do seu povo nas decisões, tirar as rédeas de comando das velhas elites (pondo fim às rédeas) e criar um ambiente saudável, positivo e produtivo. Mas não com qualquer dos candidatos que disputarão os votos no dia 7.

Mesmo na cadeia há quase sete meses, líder mais popular mantém o seu um terço cativo dos votos. Não por mera coincidência, a proporção detida por aquele que elogiou em palanque e beijou-lhe as mãos de guia: Jader Barbalho. Lula beneficiou – e comprou – a adesão dos deserdados em um país viciado em excluir aqueles que não participam dos banquetes elitistas. Mas Lula nunca venceu em 1º turno. Nada indica que, se fosse candidato, venceria desta vez.

O cidadão que utiliza como se fosse boneco de ventríloquo (não por faltarem qualidades em Haddad, mas pelo jogo cruel que Lula lhe impõe, minando sua autoconfiança, identidade, autonomia e independência, como deve ter feito, mais uma vez, nas três horas de conversa de ontem, no cárcere) é uma ameaça de instabilidade por tudo que poderá fazer e pelo que não fará. Eleito presidente da república, indultará Lula? Se não assumir o ato público, atuará nos bastidores para conseguir esse objetivo? E se for imparcial, irá à cadeia pedir instruções ao guia iluminado?

A enorme rejeição a Haddad tem muito desses componentes: de uma volta ao passado, como se ele tivesse sido paradisíaco e como se esse paraíso na terra ainda fosse viável.

Mais assustador ainda é ver crescer no antagonismo a esse perigo ou um perigo maior: Jair Bolsonaro. Dele, o que mais assusta não é a sua presunção de salvador da pátria e o messias que leva no nome: é divisar, por debaixo das aparências de condutor de rebanho, uma raposa astuta, um político que camufla seu pensamento (e prática) fascista para se eleger e, a partir de dentro da democracia, minar as duas bases.

Na mais bizarra, irracional e surrealista das eleições republicanas, no curso da qual uma previsão pode não resistir por mais do que 24 horas, se esse é o desfecho anunciado – Haddad x Bolsonaro – vou buscar um lugar para mim na corda do Círio.

Saravá, Nazinha!


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