Palavras vazias

Fernando Haddad se manifestou, ontem, favorável ao modelo dos Estados Unidos para o controle da imprensa, que impediria “a concentração de todas as mídias, rádio, TV e impresso, com uma só família”. Confesso meu desconhecimento desse modelo. Também ignoro que esta seja a situação no Brasil, ou mesmo nos Estados Unidos.

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, o Chatô, teve um império proporcional ao seu nome até os anos de 1960. Até sofrer uma trombose e, pouco depois, morrer. Os Diários e Emissoras Associados, se não tinham um veículo com o poder da TV Globo, dispunham de uma rede muito maior. Quando inaugurou a TV Marajoara, em Belém, em 1961, já possuía 13 emissoras de televisão espalhadas pelo país. Hoje, um único grupo só pode ter cinco delas.

Acho que quem é dono de jornal não devia ter também TV ou rádio, em tese. Mas se podia examinar casos concretos. A vedação favorece a liberdade de expressão, já que o jornal impresso é negócio livre , enquanto as emissoras de radiodifusão são concessões do poder público. Inutilmente, o Jornal do Brasil tentou conseguir um canal de televisão. O governo militar não permitiu. O JB era detestado por uma ala do poder então estabelecido. Já O Estado de S. Paulo nem se interessou, o que fez bem. No entanto, é cada vez mais difícil sustentar um jornal, como sabem os Maiorana. Sem a TV Liberal é possível que o jornal O Liberal já tivesse fechado.

Os líderes petistas, com o coro de intelectuais dogmáticos ou oportunistas, continuam batendo na tecla do controle social da imprensa. Ou sonhando com a volta da censura estatal, ainda que indireta ou camuflada, ou como instrumento de pressão e negociação no poder, como fizeram Lula e Dilma om a Globo, abrindo-lhe – também – o caixa do BNDES. Mas a militância pensa: 1) que o discurso é verdadeiro; 2) que é para valer. Nas duas hipóteses, é ruim.

Diante dos trabalhadores de Curitiba, Haddad também disse que o governo Temer, mesmo ruim, “é coisa de criança perto da cabeça de Paulo Guedes”, o guru econômico de Bolsonaro. Por que então os petistas escolheram Michel temer para vice-presidente de Dilma?


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