Cautela e caldo de galinha

Considero ser um direito de Lula dar entrevista na cadeia. Ele está preso por corrupção, mas sua liberdade de expressão não foi suspensa ou cassada. Exercida nas circunstâncias estabelecidas pela lei penal para o caso, com a autorização da autoridade judicial responsável pela execução da sua pena, ele pode receber a jornalista, desde que tenha havido solicitação formal.

Acho incabível o furor do ministro Ricardo Lewandowski contra a suspensão da sua decisão de autorizar a manifestação de Lula. A contra-ordem foi dada pelo seu colega Luiz Fux, vice-presidente no exercício da presidência, prerrogativa definida no regimento da corte. Tanto que o titular, Dias Toffoli, ao reassumir, manteve o ato do seu substituto e, com a devida prudência, transferiu o encaminhamento do impasse à deliberação do plenário para depois da eleição.

Todos os integrantes do poder judiciário, em especial, e do poder público em geral deveriam ter a sensatez de deixar para essa data todo e qualquer procedimento que possa influir sobre a eleição. A votação do dia 7 já carrega tanto ineditismo, singularidade e surpresa que é melhor não avivar o fogo antes que ele pegue como deve ser: aquecendo os sentimentos cívicos do eleitor – e não a paixão dos fanáticos e radicais.

SUGESTÃO

Sugiro à grande imprensa pedir e publicar a agenda diária de Lula na cadeia especial em que se encontra, na sede da polícia Federal, em Curitiba. Para a boa informação de todos. Ao menos até que, passado o furacão dos votos, ele volte a ser integralmente o que é: um preso da justiça.


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