O Liberal, 72 anos

Órgãos públicos veicularam 16 páginas de anúncios na edição de aniversário de 72 anos de O Liberal, que circulou ontem com a data de hoje, 10 dias depois do 15 de novembro de 1946, quando o jornal circulou pela primeira vez, tendo Magalhães Barata como o seu proprietário. Esse tipo de edição já não existe há muito tempo na maioria da grande imprensa. Mantém-se para assinalar a data, mas, em especial, para aumentar a receita comercial da empresa. A presença de governos e órgãos oficiais é destacada, embora decrescente, numa tendência que se consumou em outros Estados e pelo mundo afora.

O governo do Estado e a prefeitura de Belém, controlada pelo PSDB, ainda respondem presente, com duas páginas anúncios autorizados pela administração de Simão Jatene e outras duas pela de Zenaldo Coutinho, apesar da aliança firmada pelos Maiorana com os Barbalho (Helder Barbalho assina, pela primeira vez, mensagem de congratulações). O governador eleito, antes adversário da casa, cita explicitamente o nome de O Liberal. Jatene, aliado histórico, é o único que omite a menção, restringindo-se a tratar o aniversariante por “jornal” (Zenaldo se curva à praxe, como também Michel Temer).

Prefeituras municipais do interior, em dificuldades financeiras e orçamentárias_ pagaram oito páginas, metade do total dos órgãos públicos. O caso mais impressionante é o de Ourém, com três páginas, sendo duas de informe publicitário, muito mais caro do que o anúncio convencional, mas que permitiu ao prefeito aparecer em três fotografias. Vigia também usou esse artifício, em duas páginas. Viseu, Castanhal, Ananindeua, Santarém e Santa Maria foram outros comparecimentos municipais à edição. Os dois tribunais de contas, o estadual e o municipal, TCE e TCM, entraram com uma página cada.

Esta situação mostra a necessidade de haver um colegiado ao qual os entes públicos submetam a sua intenção de veicular publicidade pela imprensa, definindo a justificativa, a oportunidade, a frequência, o preço e a mensagem a ser difundida. Com uma premissa: sem a imagem do ordenador de despesa. Ou então acabar com essa prática. O dinheiro público – ainda mais porque escasso – precisa ser aplicado com rigor e em benefício direto dos contribuintes – sempre.

Ah, sim: parabéns a todos que fazem O Liberal pela data, que realmente é importante. Tecnicamente, do ponto de vista gráfico, a edição é de qualidade internacional.


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