O que vale?

A questão mais importante para a Vale no momento é a renovação das suas concessões das ferrovias de Carajás e Vitória-Minas. Por elas, principalmente pela linha de Carajás, escoa o maior volume de minério de ferro (de elevado teor) que circula entre os oceanos. O governo federal está dividido a respeito. Uma ala quer despachar a renovação como ela está posta. Outra acha baixo o valor calculado como contrapartida para a mineradora continuar a dispor das duas mais importantes ferrovias do Brasil.

As audiências públicas sobre esse tema tão candente foram para inglês ver. Não houve sessão em Belém,  a maior cidade na área de influência (ainda que indireta) da ferrovia. Ao invés de dispensar as formalidades e apresentar seus argumentos a quem se interessasse na capital paraense, a Vale faz circular uma exposição sobre as suas atividades de uma pobreza espantosa. Só satisfaz o visitante completamente desinformado sobre a mineração. Depois de ver a mostra esse visitante sairá quase tão desinteressado como quando entrou. Ou tão desinformado.

No entanto, os jornais noticiam a exposição como se fosse realmente um acontecimento. Ontem, aliás, um dos prêmios de jornalismo concedido pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará foi justamente sobre o circuito que a exposição da Vale percorreu nos shoppings de Belém e Ananindeua. Todos os prêmios não passam de uma ação entre amigos, o sindicato usando o Prêmio Simineral de Comunicação como moeda de troca pelo apoio da imprensa e seu enquadramento numa cobertura burocrática e simpática, que exclui a crítica.

Claro que, sob a Vale, essa ação é muito mais grandiosa. A cara e extensa mídia da mineradora, distribuída por toda grande imprensa e pelas mídias alternativas, não cumpre nenhuma finalidade comercial. A Vale vende um produto avaliado em milhões de toneladas e com uma clientela – principalmente no exterior – restrita, para cujas decisões de compra não influi a publicidade. A farta publicidade é para reforçar a aliança de interesse. O mote da campanha, que destaca os “redescobridores”, não demonstra o que eles redescobriram. Exceto, talvez, a fórmula de influenciar pessoas e convencê-las sem que essa relação seja franca e leal, voltada para o interesse público.


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