E o Ministério Público?

Ontem, a Polícia Militar foi a três bairros periféricos de Belém, em Icoaraci, atrás de traficantes de drogas. É uma iniciativa necessária. Todos os dias são registrados crimes atribuídos ao mundo das drogas. Traficantes, mulas e usuários parecem circular livremente pela cidade e se esconder em refúgios, quando necessário (depois de execuções, por exemplo). É preciso desentocá-los dos seus bunkers. Ao final da operação de ontem – no Tapanã, Paracuri e Parque Guajará – a PM contabilizou dois “bandidos” feridos. Um tanto imprecisamente, um dos feridos pode ter morrido. Mas não era o artesão Osmar Monteiro (ou Teixeira), de 27 anos.

Os moradores do Paracuri sustentam que Osmar foi morto com um tito disparado por um PM, caiu no igarapé, não foi socorrido e só foi encontrado algumk tempo depois, na vazante, quando seu corpo apareceu, preso a uma árvore. Ele era uma das pessoas que extraem argila no local para uso pelos artesãos do bairro, revoltados com a ação da polícia. Os moradores disseram que três trabalhadores foram baleados.

A versão dos moradores colide, portanto, coma versão oficial. Qual a verdade? O Ministério Público poderia arbitrar essa divergência. Para tanto, teria que formar uma força-tarefa de promotores para acompanharem as operações programadas pela polícia, principalmente no combate ao tráfico de drogas e a organizações criminais. Na linha de frente, em tempo real, eles poderiam impor o respeito à lei e o cumprimento da função de Estado.


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